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O que falta para brincarmos mais em família?

Tempo, energia e disponibilidade: o que nos revela o estudo «Portugal a Brincar IV – 2026»

Entre a escola, o trabalho, as deslocações e as tarefas de casa, os dias enchem-se depressa. Arranjar tempo para brincar em família pode ser um desafio, sobretudo quando chegamos ao fim do dia cansados.

 

Os resultados divulgados do estudo «Portugal a Brincar IV – 2026» ajudam-nos a olhar para esta realidade. Desenvolvido pela Escola Superior de Educação de Coimbra, em parceria com o Instituto de Apoio à Criança e a Estrelas & Ouriços, o estudo reuniu respostas de mais de mil famílias com crianças até aos 12 anos e, pela primeira vez, ouviu diretamente as crianças.

Pé Descalço, 2026

Pé Descalço, 2026

O tempo e a energia para brincar ⏳

Entre as famílias participantes, alguns dados merecem atenção:

  • 51,9% identificam o tempo como o fator mais importante para brincar.

  • 27,7% apontam a incompatibilidade entre os horários profissionais e a vida familiar como um obstáculo.

  • 65,1% indicam a casa como o principal local de brincadeira, apesar de as famílias manifestarem preferência pelo brincar ao ar livre.

O cansaço também pesa: mais de 40% dos pais referem a falta de energia associada à carga de trabalho como uma das principais barreiras ao brincar.

Ouvir o que as crianças valorizam 💬

Quando se comparam as perspetivas de adultos e crianças, surgem diferenças. Os pais valorizam sobretudo a criatividade, a aprendizagem e o desenvolvimento de competências. As crianças destacam a alegria, a amizade, o convívio e o tempo passado em família.

No Pé Descalço, estes resultados deixam um convite: prestar mais atenção à forma como as crianças querem viver esse tempo connosco. Podemos começar por lhes perguntar a que gostariam de brincar, aceitar uma ideia e deixar que sejam elas a explicar as regras.

Criar oportunidades no dia a dia 🤝

Sabemos que a disponibilidade das famílias depende de muitas coisas. Horários exigentes, viagens e responsabilidades deixam pouco espaço no dia. Por isso, esta reflexão também deve chegar às escolas, aos locais de trabalho e a quem pensa os espaços das nossas comunidades. Que condições estamos a criar para o brincar caber na vida de todos?

Cada família encontrará o que faz sentido na sua rotina. Podem começar por um momento possível e voltar a dar-lhe lugar nos dias seguintes.

Allan Mas, 2020

Fonte: Resultados divulgados do estudo «Portugal a Brincar IV – 2026», desenvolvido pela Escola Superior de Educação de Coimbra, em parceria com o Instituto de Apoio à Criança e a Estrelas & Ouriços. Artigo de partida: «Mitos, novos dados e mais perguntas: o que precisamos de saber sobre o brincar?». Dados cruzados com as publicações do Comité Olímpico de Portugal e do Medjournal.

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