O sucesso começa quando as crianças têm tempo para serem crianças: para brincarem sem guião, para se mexerem, para se aborrecerem o suficiente que têm de inventar qualquer coisa. 💡
O Professor Carlos Neto, uma das vozes mais consistentes em Portugal quando falamos de brincar, jogo e desenvolvimento motor infantil, tem sido particularmente direto neste alerta: a infância está a ficar apertada por rotinas, por medos, por excesso de tempo sentado, por pouca rua e pouca natureza. E isto não é um detalhe, é uma questão de desenvolvimento.
Em estudos internacionais, os reclusos chegam a ter mais tempo de ócio fora da cela do que muitas crianças têm de tempo livre no seu dia-a-dia.
O que esta comparação ilumina não é o exagero, é a tendência de que os dias das nossas crianças estão a ser cada vez mais preenchidos, onde o brincar fica reduzido a um intervalo curto, a um parêntesis entre tarefas. E, quando o brincar diminui, reduz também o movimento espontâneo, a exploração, o risco pequeno e necessário, o treino invisível do corpo e da mente.
Os dados que Carlos Neto tem partilhado ao longo dos anos apontam para uma realidade dura: grande parte das crianças brinca livremente menos de uma hora por dia.
Pexels, 2024
Durante muito tempo, o recreio escolar foi o lugar onde as crianças conseguiam ser e ter corpo: correr, trepar, saltar, inventar jogos, discutir regras, fazer as pazes, recomeçar.
Contudo, até esse território foi sendo domesticado: menos espaço, menos tempo, mais receio e onde o corpo aprendeu que talvez seja melhor ficar quieto. 🤫
Stefan Maritz, 2025
Taakill, 2022
Aqui há um ponto-chave que o professor Carlos Neto tem vindo a insistir frequentemente: brincar não é o oposto de aprender, é uma das suas raízes.
Quando uma criança brinca e é ativa, não está apenas a “gastar energia”, está a desenvolver competências que aparecem também na sala de aula, nomeadamente: a atenção, autorregulação, capacidade de resolver problemas e persistência.
Brincar na infância está ligado ao que muitos chamam de “sucesso” na vida adulta. Um sucesso não no sentido de performance precoce, mas no sentido de construção de bases internas.
E há também um efeito menos óbvio, mas central: um corpo que se mexe com variedade alimenta o cérebro com informação rica. Brincar e ser ativo está associado a efeitos positivos ao nível cerebral e do desempenho escolar, precisamente porque ativa sistemas ligados à atenção, à memória e ao controlo executivo.
🧭
Autonomia: “eu consigo” nasce de experimentar, falhar e tentar outra vez.
🎨
Criatividade: surge quando há tempo vazio e liberdade para inventar regras.
🤝🏾
Competência social: negociar, cooperar, lidar com frustração, ganhar e perder.
💪
Resiliência: cair, levantar, ajustar, continuar.
🤸♂️
Corpo competente: equilíbrio, coordenação, força, destreza.
Pé Descalço, 2025
Pé Descalço, 2025
Começa aqui:
No tempo livre que permite a imaginação ⏳
No corpo que explora e aprende 🔍
Na natureza que oferece materiais sem manual 🌿
No recreio, na rua, no chão, na lama, na vida 👣
E é por isso que faz sentido procurarmos lugares que devolvam à infância aquilo que ela precisa para crescer: espaço, natureza, desafios e liberdade – ingredientes que se encontram no nosso parque.
O sucesso dos adultos de amanhã começa com uma infância vivida. 💛
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