Nuno Pinto Martins, formador em Disciplina Positiva, sublinha que o momento em que a criança ou o adolescente nos desafia é a oportunidade de ouro para ensinar o comportamento correto. Mas, para que isso aconteça, precisamos de mudar a nossa própria perspetiva:
Sair do modo “ataque”: muitas vezes sentimos que a criança está a agir apenas para nos irritar, mas essa é a nossa necessidade de controlo a falar.
Acalmar o “vulcão”: não se ensina nada enquanto o “vulcão” está a explodir. É preciso primeiro uma estratégia para acalmar a criança, o adolescente e — talvez o mais difícil — a nós próprios.
Usar a “lupa interior”: em vez de reagirmos apenas ao comportamento visível, devemos tentar perceber que necessidade está por trás dele.
Bijou Baby, 2015
Quando uma criança “se porta mal”, ela está a comunicar algo que ainda não sabe dizer por palavras. Se conseguirmos olhar para além do conflito, percebemos que ela pode estar a pedir atenção, a testar a sua autonomia ou simplesmente a tentar lidar com uma frustração.
No Pé Descalço, acreditamos que este processo de aprendizagem emocional flui melhor quando o corpo e a mente têm espaço para respirar. Ambientes naturais e de brincadeira livre permitem que as crianças testem limites e resolvam pequenos conflitos de forma autónoma, tornando-as mais resilientes perante os erros.
Educar não é sobre ser perfeito, mas sobre acompanhar processos. Se conseguirmos transformar o momento da “explosão” num momento de conexão e ensino, estamos a dar ferramentas para que os adultos de amanhã saibam gerir as suas próprias tempestades.
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